"Táxi driver” [EUA, 1976], de Martin Scorsese ["Touro indomável", "Cabo do medo", "Cassino", "A invenção de Hugo Cabret" etc.] , um dos primeiros filmes a retratar a violência de forma mais veemente, ressaltando os impactos e os estragos das armas de fogo nos corpos, amputando membros, jorrando sangue etc. [o que influenciará Quentin Tarantino (“Cães de aluguel”, “Pulp fiction”) e Oliver Stone (“Assassinos por natureza”) anos depois]. Robert de Niro [Travis] é um subproduto de uma NY violenta no início dos anos 1970: ex-fuzileiro [pós-vietnã], solitário [o táxi é a metáfora da solidão], desempregado, insone, hipocondríaco e moralista. Ele se revolta com o que vê nas ruas e acredita piamente que pode consertar o mundo: matar políticos e traficantes, salvar prostitutas do domínio dos cafetões etc. O filme foi reverenciado pela sua estética sub-mundana, com cenas das madrugadas chuvosas e dos bairros barra-pesada de NYC. Scorsese foi muito feliz no posicionamento das câmeras, fixando-as no interior/exterior do taxi, seja na posição frontal, lateral ou sobre o teto. Há semelhanças de cenas [até mesmo de takes] com o filme “Cabo do medo”, repetindo a parceria de Niro/Scorsese. As cenas gravadas numa sala de cinema, em ambos os filmes, são bem parecidas. A trilha sonora [Bernard Hermman], perfeita, funciona bem para os giros à noite pelas ruas de NY. Jodie Foster e Harvey Keitel, em início de carreira, entram na segunda metade do filme. Houve uma feliz confluência de grandes caras em NYC, nos anos 1970: Scorsese, amigo de Brian de Palma, estudou cinema com Oliver Stone na Universidade-NY. Eles conheciam Robert de Niro, que era amigo de Harvey Keitel. Scorsese admite que o filme foi influenciado por Godard e Truffaut.
Nenhum comentário:
Postar um comentário